Patrocinado

Jacinta Ngobese-Zuma afirma que ainda há muito por fazer para enfrentar a imigração irregular na África do Sul

A líder do movimento March and March, Jacinta Ngobese-Zuma, nesta quinta-feira do dia 9 de julho de 2026, defendeu que a África do Sul ainda enfrenta desafios significativos no combate à imigração irregular, afirmando que as atuais medidas adotadas pelas autoridades são insuficientes para lidar com a presença de estrangeiros sem documentação no país.

As declarações foram feitas durante um discurso dirigido a centenas de manifestantes em Mthwalume, na costa sul da província de KwaZulu-Natal, onde a ativista voltou a defender um reforço das políticas de controlo migratório e da fiscalização das fronteiras.

Segundo Jacinta Ngobese-Zuma, embora tenham sido realizadas operações destinadas a identificar cidadãos estrangeiros em situação irregular, os resultados alcançados continuam aquém do esperado. Na sua visão, apenas uma pequena parcela dos imigrantes sem documentação deixou efetivamente o país, enquanto a maioria permanece em território sul-africano.

A dirigente argumenta que um dos principais problemas está relacionado com a ausência de mecanismos eficazes para acompanhar a situação dos estrangeiros que entram legalmente no país, mas permanecem após o vencimento dos seus vistos ou outros documentos de viagem.

Durante a intervenção, Ngobese-Zuma afirmou que, sem um sistema eficiente de monitorização, torna-se difícil garantir que os visitantes cumpram os prazos estabelecidos pela legislação migratória. Para ela, essa realidade contribui para o aumento do número de pessoas em situação migratória irregular.

"Para ser sincera, poucas pessoas deixaram o país, e a maioria ainda está aqui. Não criamos barreiras para impedi-las de entrar. Então, enquanto tivermos entrada sem visto e as pessoas continuarem vindo para o país, e não houver como rastreá-las quando se recusam a sair, ainda teremos um problema, porque muitas pessoas entram ilegalmente e acabam ficando ilegalmente. Esse problema ainda não foi resolvido. Também não resolvemos o problema das travessias ilegais pelas fronteiras, que estão operacionais em apenas 25% da sua capacidade", declarou Jacinta Ngobese-Zuma.

A líder do movimento defendeu igualmente um reforço da segurança nas fronteiras sul-africanas, alegando que muitos postos fronteiriços continuam a operar com recursos limitados, situação que, segundo ela, facilita as entradas irregulares no território nacional.

Nos últimos anos, a questão da imigração tem ocupado um lugar de destaque no debate político e social da África do Sul. O país continua a receber milhares de migrantes provenientes de diferentes partes do continente africano, muitos dos quais procuram melhores oportunidades de emprego, segurança ou condições de vida.

Ao mesmo tempo, organizações da sociedade civil, especialistas e organismos internacionais têm defendido que qualquer política migratória deve respeitar os direitos humanos e as normas internacionais de proteção dos migrantes e refugiados, alertando para a necessidade de equilibrar o controlo das fronteiras com a proteção da dignidade das pessoas.

O movimento March and March tem promovido diversas manifestações em várias regiões do país para pressionar o Governo a adotar medidas mais rigorosas contra a imigração irregular. Os seus apoiantes argumentam que o reforço do controlo migratório poderá contribuir para melhorar a gestão dos serviços públicos, aumentar a segurança e garantir maior fiscalização sobre a permanência de cidadãos estrangeiros.

Por outro lado, defensores dos direitos humanos sustentam que o fenómeno migratório é complexo e que soluções duradouras exigem cooperação entre os países da região, melhoria dos sistemas de registo migratório, combate às redes de tráfico de pessoas e criação de vias legais para a mobilidade.

As declarações de Jacinta Ngobese-Zuma voltam a colocar em evidência um dos temas mais sensíveis da política sul-africana, numa altura em que o Governo continua a enfrentar pressão para reforçar a gestão das fronteiras e aperfeiçoar os mecanismos de controlo da imigração.

Até ao momento, as autoridades sul-africanas não responderam publicamente às mais recentes declarações da líder do movimento. Entretanto, o debate sobre a imigração irregular continua a dividir opiniões entre aqueles que defendem políticas mais restritivas e os que apelam para soluções que conciliem segurança, legalidade e respeito pelos direitos fundamentais.

A discussão deverá permanecer no centro da agenda pública nos próximos meses, à medida que diferentes organizações, partidos políticos e movimentos cívicos continuam a apresentar propostas sobre a forma como a África do Sul deve gerir os fluxos migratórios e responder aos desafios associados à imigração irregular.

Leia mais sobre artigos relacionados 

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem