
O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, afirmou esta terça-feira que a criação de empregos e o fortalecimento da economia nacional constituem a solução mais sustentável para reduzir a vulnerabilidade dos moçambicanos que enfrentam ataques xenófobos na África do Sul.
As declarações foram feitas à margem de uma palestra sobre "O Papel da Universidade Eduardo Mondlane na Construção do Estado Moçambicano", onde Chissano destacou que o combate à xenofobia exige uma abordagem que vá além das respostas imediatas, apostando no desenvolvimento económico e na criação de oportunidades para a juventude.
Segundo o antigo Chefe de Estado, o reforço da independência económica permitirá que mais jovens encontrem emprego e contribuam para o crescimento do país, reduzindo a necessidade de emigrar em busca de melhores condições de vida.
Chissano sublinhou que a migração continuará a ser uma realidade enquanto persistirem dificuldades económicas, defendendo, por isso, políticas públicas capazes de estimular o investimento, gerar postos de trabalho e promover um desenvolvimento inclusivo em Moçambique.
Além da componente económica, apelou ao reforço do diálogo permanente entre os governos de Moçambique e da África do Sul para encontrar soluções duradouras que garantam a segurança e a dignidade dos cidadãos moçambicanos residentes no país vizinho.
O antigo Presidente considerou igualmente prioritária a regularização da situação migratória dos moçambicanos que vivem na África do Sul, argumentando que a documentação adequada pode reduzir situações de vulnerabilidade e facilitar o acesso à proteção legal.
Os pronunciamentos de Joaquim Chissano surgem numa altura em que persistem preocupações com episódios de violência e ataques xenófobos contra cidadãos estrangeiros na África do Sul, incluindo moçambicanos.
As autoridades dos dois países têm mantido contactos diplomáticos sobre a matéria, enquanto organizações da sociedade civil continuam a defender medidas que reforcem a proteção dos migrantes e combatam a discriminação.