O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, concluiu esta sexta-feira, 17 de julho, a sua visita oficial de quatro dias à República Portuguesa, encerrando uma agenda diplomática marcada pelo reforço das relações políticas, económicas e institucionais entre os dois países. A deslocação, que decorreu entre Lisboa e Cascais, ficou marcada por encontros ao mais alto nível com as principais autoridades portuguesas, representantes da União Europeia e membros da comunidade moçambicana residente em Portugal.
O último compromisso oficial do Chefe de Estado moçambicano foi um almoço de trabalho com o Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro, realizado na residência oficial do governante português, em Lisboa. O encontro decorreu num ambiente de grande cordialidade e simbolismo, refletindo a sólida amizade histórica entre Moçambique e Portugal e a vontade comum de aprofundar a cooperação estratégica.
Antes do almoço, Daniel Chapo e Luís Montenegro percorreram os jardins da residência oficial, onde trocaram impressões sobre os desafios comuns e as oportunidades de cooperação entre os dois países. O momento representou o encerramento protocolar da visita, mas também reforçou a mensagem transmitida pelo Presidente moçambicano ao longo da sua permanência em Portugal: a necessidade de acelerar o investimento português em Moçambique e criar condições para um crescimento económico sustentável.
Durante os quatro dias de visita, Daniel Chapo insistiu na importância de fortalecer as relações económicas entre Moçambique e Portugal, apelando ao aumento do investimento privado português em sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.
O Presidente destacou áreas como energia, agricultura, indústria, turismo, infraestruturas, transportes, economia digital e formação profissional como prioritárias para futuras parcerias. Segundo Chapo, Moçambique continua a oferecer oportunidades significativas para investidores internacionais, sobretudo tendo em conta os grandes projectos ligados ao gás natural, à exploração mineira e ao desenvolvimento agrícola.
O Chefe do Estado defendeu igualmente que o crescimento das relações económicas deverá beneficiar empresas dos dois países, promovendo a criação de emprego, transferência de conhecimento e desenvolvimento tecnológico.
Outro dos temas centrais da visita foi a situação de segurança na província de Cabo Delgado. O Presidente moçambicano apelou às autoridades portuguesas para mobilizarem os parceiros da União Europeia no sentido de renovar, por mais dois anos, a missão europeia de assistência militar a Moçambique.
O apoio europeu tem desempenhado um papel importante na capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, contribuindo para o combate aos grupos terroristas que actuam naquela província desde 2017.
Daniel Chapo reiterou que o combate ao terrorismo continua a ser uma prioridade nacional, defendendo que a estabilidade e a segurança são factores indispensáveis para atrair investimento e acelerar o desenvolvimento económico das regiões afectadas pelos ataques armados.
Na quinta-feira, o Presidente manteve igualmente um encontro com o Presidente da Assembleia da República de Portugal, José Pedro Aguiar-Branco, durante o qual foram analisados diversos assuntos relacionados com o aprofundamento das relações institucionais entre os dois parlamentos.
As conversações abordaram igualmente o reforço da cooperação no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), bem como o progresso do Diálogo Nacional Inclusivo em Moçambique.
Daniel Chapo apresentou às autoridades portuguesas informações sobre os esforços em curso para promover maior estabilidade política, reconciliação nacional e fortalecimento das instituições democráticas.
Antes de regressar a Maputo, o Presidente reuniu-se com representantes da comunidade moçambicana residente em Portugal.
O encontro decorreu em Lisboa e contou com a participação de empresários, estudantes, profissionais de diferentes áreas e famílias moçambicanas estabelecidas naquele país europeu.
Durante a reunião, Daniel Chapo reconheceu o importante papel desempenhado pela diáspora no fortalecimento das relações entre Moçambique e Portugal, destacando a contribuição dos emigrantes para a economia nacional através das remessas financeiras, da promoção de investimentos e da divulgação da imagem do país no exterior.
O Presidente incentivou igualmente os moçambicanos residentes em Portugal a continuarem a investir em Moçambique e a participarem activamente nos projectos de desenvolvimento económico e social.
Portugal continua a ser um dos principais parceiros de cooperação de Moçambique, mantendo uma forte presença nos sectores da banca, energia, telecomunicações, construção civil, educação, saúde e formação técnica.
Além da cooperação económica, os dois países mantêm uma intensa colaboração nos domínios da cultura, língua portuguesa, ensino superior, justiça e administração pública.
A visita oficial serviu também para reafirmar os laços históricos que unem os dois Estados, consolidando uma parceria considerada estratégica para ambos os governos.
A visita termina com expectativas positivas relativamente à implementação dos entendimentos alcançados durante os encontros realizados em Portugal.
Entre os principais objectivos definidos estão o aumento do investimento privado, o fortalecimento da cooperação económica, a continuidade do apoio internacional ao combate ao terrorismo em Cabo Delgado, o reforço das relações parlamentares e a valorização do papel da diáspora moçambicana.
Ao longo dos quatro dias de missão diplomática, Daniel Chapo participou em reuniões institucionais, encontros empresariais e sessões de trabalho dedicadas à economia, segurança, mobilidade e cooperação internacional.
O encerramento da visita representa mais um passo no aprofundamento das relações entre Moçambique e Portugal, numa altura em que ambos os países procuram consolidar novas oportunidades de desenvolvimento, comércio e investimento. O sucesso das iniciativas agora discutidas dependerá da implementação efectiva dos compromissos assumidos, podendo abrir uma nova fase de cooperação estratégica baseada na confiança mútua, no crescimento económico e no benefício partilhado para os povos moçambicano e português.
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