O antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, considera que a presença de Moçambique no Conselho de Segurança das Nações Unidas constituiu uma oportunidade estratégica para o país defender os seus interesses nacionais e levar preocupações internas aos principais fóruns internacionais.
Nyusi fez estas declarações na quinta-feira, 13 de Agosto, em Maputo, durante uma palestra realizada na Universidade Joaquim Chissano, subordinada ao tema “Importância do Multilateralismo e o Papel de Moçambique no Conselho de Segurança das Nações Unidas”.
Durante a intervenção, o antigo Chefe do Estado destacou a importância da participação moçambicana num dos mais importantes órgãos do sistema das Nações Unidas, sobretudo num contexto marcado por conflitos, ameaças à segurança internacional e desafios relacionados com o terrorismo.
Segundo Nyusi, a presença de Moçambique no Conselho de Segurança permitiu ao país não apenas acompanhar os grandes debates internacionais, mas também apresentar preocupações nacionais perante a comunidade internacional.
Entre os assuntos que ganharam espaço na diplomacia moçambicana esteve a situação de Cabo Delgado, província afectada por ataques de grupos terroristas desde 2017.
A crise de segurança no norte de Moçambique tem provocado deslocações de populações, destruição de infra-estruturas e graves impactos sociais e económicos, tornando-se uma das principais preocupações de segurança do país.
De acordo com Nyusi, a participação de Moçambique no Conselho de Segurança possibilitou colocar esta realidade no centro das discussões internacionais e procurar maior atenção e cooperação para enfrentar a ameaça terrorista.
A questão de Cabo Delgado tem também uma dimensão regional, devido à necessidade de cooperação entre os países da África Austral e outras organizações internacionais no combate ao terrorismo e à criminalidade transnacional.
Para o antigo Presidente, a participação no órgão da ONU deve ser entendida como uma ferramenta diplomática que permitiu ao país apresentar a sua perspectiva sobre questões de paz e segurança.
A palestra de Nyusi teve como ponto central a importância do multilateralismo nas relações internacionais.
O multilateralismo assenta na cooperação entre vários países e instituições para enfrentar problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais. Questões como guerras, terrorismo, alterações climáticas, segurança alimentar, crises humanitárias e desenvolvimento económico exigem, frequentemente, respostas coordenadas entre diferentes Estados.
Neste contexto, a presença de Moçambique no Conselho de Segurança representou uma oportunidade para aumentar a visibilidade diplomática do país.
Nyusi defendeu, nesse sentido, a importância de os Estados aproveitarem os espaços multilaterais para promover os seus interesses e contribuir para a construção de soluções colectivas.
A participação num órgão como o Conselho de Segurança permite igualmente estabelecer contactos diplomáticos com países de diferentes regiões do mundo, criando oportunidades para fortalecer relações bilaterais e multilaterais.
A passagem de Moçambique pelo Conselho de Segurança ocorreu num período de profundas mudanças no cenário internacional, marcado por conflitos armados, tensões geopolíticas e disputas entre grandes potências.
Para um país como Moçambique, assumir responsabilidades num órgão desta natureza representa uma oportunidade diplomática, mas também implica desafios.
A posição de membro exige capacidade de negociação, conhecimento dos assuntos internacionais e definição clara das prioridades nacionais.
Na perspectiva apresentada por Nyusi, Moçambique conseguiu utilizar esse espaço para abordar questões consideradas relevantes para o país, incluindo a segurança e a luta contra o terrorismo.
A experiência também permitiu, segundo o antigo Presidente, ampliar a participação do país nos debates sobre a paz e a segurança internacionais.
A intervenção de Nyusi destacou ainda uma dimensão importante da política externa: a diplomacia pode ser utilizada como instrumento para defender interesses nacionais sem recurso à confrontação.
Ao participar em debates multilaterais, os países têm a possibilidade de apresentar as suas posições, procurar apoio internacional e construir alianças em torno de determinadas questões.
No caso de Moçambique, a segurança de Cabo Delgado tornou-se uma das questões que exigem maior cooperação internacional, tendo em conta a natureza da ameaça e os seus efeitos sobre a população.
A abordagem diplomática permite ao país procurar apoio político, financeiro e técnico, além de reforçar a cooperação regional e internacional no combate ao terrorismo.
A realização da palestra numa instituição de ensino superior também permitiu aproximar o debate sobre política externa e multilateralismo dos estudantes.
A Universidade Joaquim Chissano é uma instituição vocacionada para áreas relacionadas com relações internacionais, diplomacia, administração pública e outros domínios ligados à governação.
A discussão sobre a experiência de Moçambique no Conselho de Segurança pode, por isso, contribuir para a formação de jovens interessados na diplomacia e nas relações internacionais.
A experiência acumulada pelo país durante a sua participação no órgão da ONU poderá igualmente servir de referência para futuras estratégias de política externa.
A avaliação de Filipe Nyusi coloca a participação de Moçambique no Conselho de Segurança como uma experiência que ultrapassa o período em que o país ocupou o assento no órgão.
A principal questão passa agora por saber como essa experiência poderá ser transformada em ganhos diplomáticos de longo prazo.
Para especialistas em relações internacionais, a presença num órgão multilateral de grande influência pode contribuir para aumentar a capacidade de um país negociar, estabelecer alianças e promover as suas prioridades no cenário global.
No caso moçambicano, a segurança, o desenvolvimento, a cooperação económica e a defesa da soberania continuam entre os assuntos que podem beneficiar de uma diplomacia activa.
As declarações de Nyusi reacendem, assim, o debate sobre o papel que Moçambique deve desempenhar no sistema internacional e sobre a importância de uma política externa capaz de transformar participação diplomática em resultados concretos para o país.
A experiência no Conselho de Segurança das Nações Unidas, segundo o antigo Chefe do Estado, demonstrou que mesmo países de menor dimensão económica podem utilizar os espaços multilaterais para apresentar as suas preocupações, defender os seus interesses e participar na construção das decisões que influenciam a paz e a segurança internacionais.
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