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Akinwumi Adesina desafia investidores a apostar na transformação de Moçambique e propõe fundo para reforçar resiliência climática

Maputo, Moçambique 

O presidente do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, no dia 8 de julho de 2026, defendeu a necessidade de uma nova abordagem para o investimento em Moçambique, apelando à mobilização de recursos financeiros que promovam o crescimento sustentável, a criação de emprego e a adaptação às alterações climáticas.

Durante a sua intervenção num encontro dedicado ao desenvolvimento económico e ao investimento, Adesina destacou que Moçambique possui um enorme potencial em sectores como agricultura, energia, recursos minerais, turismo e economia azul. Contudo, alertou que o país enfrenta desafios significativos relacionados com os impactos das mudanças climáticas, que colocam em risco infra-estruturas, produção agrícola e meios de subsistência de milhões de pessoas.

Segundo o responsável, fenómenos extremos como ciclones, cheias e secas tornaram-se mais frequentes e intensos nos últimos anos, exigindo respostas estruturadas e investimentos de longo prazo. Para Adesina, a adaptação climática deve deixar de ser vista apenas como uma despesa pública e passar a ser encarada como uma oportunidade estratégica para impulsionar o desenvolvimento económico.

Neste contexto, o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento propôs a criação de um Fundo de Investimento Resiliente de Moçambique, uma iniciativa destinada a mobilizar capital público e privado para financiar projectos que fortaleçam a capacidade do país de enfrentar os efeitos das alterações climáticas.

De acordo com a proposta, o fundo poderá apoiar investimentos em agricultura resiliente, sistemas modernos de irrigação, infra-estruturas resistentes a desastres naturais, energias renováveis, gestão sustentável dos recursos hídricos, reflorestamento, protecção costeira e modernização das cadeias de produção agrícola.

Adesina sublinhou que investir em resiliência significa proteger vidas, preservar activos produtivos e reduzir os custos económicos provocados por catástrofes naturais. Acrescentou ainda que países capazes de antecipar riscos climáticos tornam-se mais atractivos para investidores internacionais e conseguem garantir maior estabilidade ao crescimento económico.

O dirigente recordou que Moçambique continua entre os países africanos mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, apesar de contribuir muito pouco para as emissões globais de gases com efeito de estufa. Por essa razão, defendeu um maior envolvimento da comunidade internacional e das instituições financeiras no apoio às estratégias nacionais de adaptação.

Além da componente ambiental, Adesina enfatizou a importância de investir na transformação da agricultura moçambicana. Segundo afirmou, o país dispõe de vastas extensões de terra arável, recursos hídricos abundantes e uma população jovem capaz de impulsionar a produção agrícola e agro-industrial, desde que existam investimentos adequados em tecnologia, financiamento, infra-estruturas e formação.

Na sua visão, a diversificação da economia e o fortalecimento do sector privado serão essenciais para aumentar a competitividade nacional, criar empregos e reduzir os níveis de pobreza. Defendeu igualmente políticas públicas que incentivem o empreendedorismo, a inovação e a industrialização baseada no aproveitamento local das matérias-primas.

O presidente do BAD destacou também o papel das parcerias entre o Governo, o sector privado, bancos comerciais e parceiros internacionais no financiamento de projectos estratégicos. Segundo explicou, nenhum país consegue responder sozinho aos desafios impostos pelas alterações climáticas, sendo necessária uma acção coordenada entre todos os intervenientes.

Ao dirigir-se directamente aos investidores nacionais e estrangeiros presentes no evento, Adesina deixou uma mensagem considerada uma das mais marcantes da sua intervenção. Encorajou os empresários a olharem para Moçambique não apenas como um país rico em recursos naturais, mas como uma economia com potencial para gerar crescimento sustentável e inovação.

"Não invistam apenas nos recursos de Moçambique. Invistam na transformação de Moçambique."

A declaração foi recebida como um apelo à aposta em investimentos capazes de gerar valor acrescentado, promover a industrialização, desenvolver o capital humano e criar oportunidades económicas duradouras para a população.

Nos últimos anos, o Banco Africano de Desenvolvimento tem apoiado diversos projectos em Moçambique nas áreas de energia, agricultura, infra-estruturas, transportes, abastecimento de água e desenvolvimento do sector privado, procurando reforçar a resiliência económica e social do país.

A proposta de criação do Fundo de Investimento Resiliente surge numa altura em que Moçambique procura aumentar o financiamento para enfrentar os impactos das alterações climáticas e acelerar o cumprimento dos objectivos de desenvolvimento sustentável, conciliando crescimento económico, protecção ambiental e inclusão social.

Com este apelo, Akinwumi Adesina reforçou a necessidade de uma visão de longo prazo para o desenvolvimento nacional, defendendo que os investimentos realizados hoje poderão determinar a capacidade de Moçambique enfrentar os desafios climáticos e construir uma economia mais moderna, resiliente e competitiva nas próximas décadas.


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