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Moçambique lança primeira Escola de Saúde Pública para fortalecer resposta aos desafios do sector da saúde

 
Moçambique deu um passo considerado histórico para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde com o lançamento da primeira Escola de Saúde Pública do país. A instituição foi oficialmente inaugurada esta segunda-feira, do dia 13 de julho de 2026, em Maputo, pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, que destacou a iniciativa como um marco na formação de profissionais altamente qualificados e no reforço da capacidade nacional de resposta aos desafios sanitários.

Durante a cerimónia de lançamento, a chefe do Governo afirmou que a criação da Escola de Saúde Pública representa um investimento estratégico no capital humano, na investigação científica e na melhoria das políticas públicas de saúde, numa altura em que Moçambique enfrenta transformações importantes no perfil epidemiológico da população.

Segundo Maria Benvinda Levi, o país vive atualmente uma dupla carga de doenças, caracterizada pelo crescimento das doenças crónicas não transmissíveis, como hipertensão arterial, diabetes, cancro e doenças cardiovasculares, ao mesmo tempo que continua a enfrentar enfermidades infecciosas, incluindo malária, tuberculose, HIV/SIDA e surtos ocasionais de cólera.

A governante explicou que este novo cenário exige profissionais com elevada qualificação técnica, capazes de produzir evidências científicas, desenvolver estratégias de prevenção e apoiar o Governo na definição de políticas públicas eficazes.

"Uma resposta eficiente e eficaz aos desafios contemporâneos da saúde pública exige uma força de trabalho técnica e cientificamente habilitada", afirmou Maria Benvinda Levi durante o lançamento da instituição.

A Primeira-Ministra sublinhou que a criação da escola permitirá formar especialistas preparados para analisar dados epidemiológicos, monitorizar tendências de saúde, planear intervenções e fortalecer a capacidade de resposta das instituições nacionais perante emergências sanitárias.

A Escola de Saúde Pública foi criada pelo Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de Saúde (INS), e surge como um centro nacional dedicado ao ensino pós-graduado, investigação científica e capacitação contínua de profissionais do sector.

Segundo as autoridades, a instituição oferecerá programas especializados em diversas áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento do sistema de saúde moçambicano.

Entre os cursos previstos destacam-se:

  • Saúde Pública;
  • Saúde Digital;
  • Economia da Saúde;
  • Sistemas de Saúde;
  • Clima e Saúde;
  • Epidemiologia;
  • Gestão de Programas de Saúde;
  • Ciências da Saúde;
  • Investigação em Saúde Pública.

Estas áreas refletem as novas necessidades do sector, cada vez mais influenciado pelos avanços tecnológicos, pelas alterações climáticas, pelo crescimento populacional e pelo aumento da procura por serviços de saúde de qualidade.

Além da formação académica, a nova escola terá como missão promover investigação científica orientada para os problemas concretos de saúde pública que afetam Moçambique.

Segundo o Governo, a produção de estudos permitirá melhorar o conhecimento sobre doenças, apoiar a tomada de decisões baseada em evidências e contribuir para políticas públicas mais eficazes.

Especialistas consideram que instituições desta natureza desempenham um papel essencial no fortalecimento dos sistemas nacionais de saúde, uma vez que aproximam a investigação científica da formulação de políticas e da gestão dos serviços públicos.

A existência de um centro nacional especializado também poderá reduzir a dependência de formação avançada realizada exclusivamente no exterior, aumentando a capacidade interna de geração de conhecimento.

Durante o discurso, Maria Benvinda Levi destacou que o perfil epidemiológico de Moçambique mudou significativamente nas últimas décadas.

Embora doenças infecciosas continuem entre as principais causas de mortalidade e internamento, verifica-se igualmente um crescimento constante das doenças não transmissíveis, impulsionado pelo envelhecimento da população, alterações nos estilos de vida, urbanização e mudanças alimentares.

Esta realidade exige uma abordagem integrada que combine prevenção, vigilância epidemiológica, promoção da saúde, investigação científica e gestão eficiente dos recursos disponíveis.

Segundo a governante, apenas profissionais devidamente qualificados poderão responder de forma adequada aos desafios atuais e futuros do sector.

O Governo recordou que o projecto da Escola de Saúde Pública começou a ser desenvolvido durante o mandato do antigo Ministro da Saúde, Armindo Tiago, como parte da estratégia nacional para fortalecer a formação avançada em saúde pública.

Ao longo dos últimos anos foram realizados estudos técnicos, preparação curricular, mobilização de parceiros e definição da estrutura institucional necessária para tornar o projecto viável.

Com a inauguração oficial da escola, Moçambique passa a contar, pela primeira vez, com uma instituição especificamente dedicada à formação especializada em saúde pública.

A criação da Escola de Saúde Pública integra os esforços do Governo para reforçar a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos, melhorar a preparação dos profissionais e aumentar a capacidade institucional do país para enfrentar futuras emergências sanitárias.

Experiências recentes, como a pandemia da COVID-19, surtos de cólera e os desafios permanentes relacionados com a malária e outras doenças transmissíveis, demonstraram a importância de investir continuamente em formação especializada, investigação científica e sistemas modernos de vigilância epidemiológica.

Organizações internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), defendem que o fortalecimento da formação em saúde pública constitui um dos pilares fundamentais para aumentar a resiliência dos sistemas nacionais de saúde e melhorar os resultados em saúde da população.

Com a entrada em funcionamento da primeira Escola de Saúde Pública, espera-se que Moçambique aumente progressivamente o número de especialistas capazes de apoiar o planeamento estratégico, desenvolver investigação aplicada e contribuir para políticas públicas mais eficazes.

O Governo acredita que a instituição será igualmente um centro de excelência para cooperação científica, inovação e intercâmbio académico, consolidando a capacidade nacional de responder aos desafios sanitários do presente e do futuro.

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