Patrocinado

Professora chinesa defende jornalismo construtivo centrado em soluções para fortalecer a sociedade

 

A professora Zhang Yanqiu, directora do Centro de Pesquisa em Comunicação da África da Universidade de Comunicação da China, defendeu esta segunda-feira, do dia 13 de julho de 2026, a adoção de um modelo de jornalismo construtivo, afirmando que os meios de comunicação social devem ir além da crítica aos problemas e assumir um papel ativo na promoção de soluções para os desafios enfrentados pela sociedade.

Durante uma intervenção num encontro académico dedicado à comunicação e ao desenvolvimento, Zhang Yanqiu sustentou que o jornalismo moderno deve funcionar como uma ponte entre os cidadãos, as instituições públicas e os decisores políticos, contribuindo para encontrar respostas concretas para problemas de interesse coletivo.

Segundo a especialista, limitar-se apenas à divulgação de acontecimentos negativos ou de falhas institucionais pode reduzir a confiança da população nas instituições e aumentar sentimentos de insegurança e desesperança.

"Este modelo integra o chamado 'jornalismo construtivo', voltado para o futuro e para a busca de soluções", afirmou a professora.

Na sua intervenção, Zhang explicou que o jornalismo construtivo não pretende esconder problemas nem reduzir o papel fiscalizador da imprensa, mas sim complementar a cobertura tradicional com análises aprofundadas sobre soluções que estejam a produzir resultados positivos.

A académica acrescentou que, sempre que surge um problema, o mais importante é analisar as causas, rever os métodos utilizados e ajustar as conclusões para encontrar alternativas eficazes.

Segundo ela, esta abordagem fortalece a confiança pública, incentiva a participação dos cidadãos e contribui para uma sociedade mais resiliente.

Durante a sua apresentação, Zhang Yanqiu afirmou que uma única ação governamental eficaz no combate à corrupção pode produzir impactos muito superiores ao trabalho de centenas de reportagens que apenas denunciam irregularidades sem que haja medidas concretas para resolver os problemas.

Na sua visão, o verdadeiro impacto do jornalismo está na capacidade de estimular mudanças positivas, incentivar políticas públicas eficazes e acompanhar a implementação de soluções.

A professora esclareceu que esta perspetiva não significa reduzir a independência editorial nem abandonar o jornalismo investigativo, mas sim ampliar a sua função social através de uma cobertura mais equilibrada.

Outro ponto destacado pela investigadora foi o impacto psicológico e social da cobertura predominantemente negativa.

Segundo Zhang, quando os meios de comunicação enfatizam constantemente conflitos, crises e escândalos sem apresentar alternativas ou exemplos positivos, existe o risco de aumentar sentimentos de ansiedade, pessimismo, extremismo e polarização social.

Na sua opinião, um fluxo contínuo de notícias negativas pode levar parte da população a acreditar que os problemas são insolúveis, reduzindo a confiança nas instituições e enfraquecendo o envolvimento cívico.

Por outro lado, notícias que mostram soluções eficazes, iniciativas inovadoras e exemplos de boas práticas ajudam a fortalecer a esperança e a incentivar a participação da sociedade na resolução dos desafios coletivos.

Ao abordar o desenvolvimento africano, Zhang Yanqiu questionou a ideia de que os países africanos precisariam necessariamente de quatro ou cinco décadas para alcançar níveis elevados de crescimento económico semelhantes aos registados pela China.

Segundo a professora, essa visão ignora as oportunidades criadas pelos avanços tecnológicos, pela cooperação internacional e pela experiência acumulada por outros países.

"A falta de confiança demonstra insegurança", afirmou.

Na avaliação da académica, acreditar que o desenvolvimento levará inevitavelmente várias décadas pode limitar a capacidade de inovação e reduzir a ambição dos governos e das sociedades africanas.

Ela defendeu que o continente possui recursos naturais, população jovem e potencial económico suficientes para acelerar o desenvolvimento, desde que existam políticas públicas adequadas, investimento em educação, inovação e boa governação.

O chamado jornalismo construtivo tem vindo a ganhar espaço em vários países e procura complementar o jornalismo tradicional através da apresentação de soluções, boas práticas e análises baseadas em evidências.

Diversas universidades e organizações internacionais têm promovido estudos sobre este modelo, argumentando que ele pode contribuir para aumentar a confiança do público na imprensa e incentivar um debate público mais equilibrado.

Na parte final da sua intervenção, Zhang Yanqiu reiterou que os meios de comunicação possuem um papel estratégico no desenvolvimento das sociedades modernas.

Segundo a professora, além de informar, os jornalistas podem ajudar a aproximar governos, especialistas e cidadãos, promovendo um diálogo construtivo baseado em factos, evidências e soluções.

Para a académica, o fortalecimento do jornalismo construtivo poderá contribuir para sociedades mais informadas, participativas e preparadas para enfrentar desafios económicos, sociais e ambientais.

A responsável concluiu defendendo que uma comunicação orientada para soluções não elimina a crítica nem reduz a transparência, mas amplia a capacidade da imprensa de gerar impacto positivo, incentivar reformas e fortalecer a confiança pública.


Leia mais sobre: Moçambique inaugura a primeira Escola de Saúde Pública para formar especialistas e reforçar a resposta aos desafios do sector da saúde

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem