EUA pedem extradição de pregador filipino Apollo Quiboloy, acusado de tráfico sexual e abuso

Os Estados Unidos apresentaram um pedido formal de extradição do pregador filipino Apollo Quiboloy, fundador da igreja Reino de Jesus Cristo (Kingdom of Jesus Christ – KOJC), para que responda perante a justiça norte-americana por acusações de tráfico sexual e outros crimes relacionados com alegado abuso de fiéis.

A informação foi confirmada por autoridades filipinas e divulgada pela agência internacional Reuters. O pedido foi encaminhado pelas autoridades norte-americanas ao Governo das Filipinas e encontra-se agora sob análise do Ministério da Justiça daquele país.

Quiboloy, que se autodenomina "Filho Escolhido de Deus", é uma das figuras religiosas mais conhecidas das Filipinas e conta com milhões de seguidores. O pregador nega todas as acusações apresentadas tanto nos Estados Unidos como no seu país.

Segundo a acusação apresentada pelas autoridades norte-americanas, Apollo Quiboloy terá liderado um alegado esquema de tráfico sexual que envolvia jovens mulheres pertencentes à sua organização religiosa.

De acordo com os procuradores dos EUA, as supostas vítimas eram alegadamente manipuladas através de ameaças espirituais, intimidação psicológica e abuso físico, sendo levadas a acreditar que enfrentariam "condenação eterna" caso desobedecessem às ordens da liderança da igreja.

Com base nessas acusações, o FBI incluiu Quiboloy na sua lista de pessoas mais procuradas.

O líder religioso rejeita todas as alegações e afirma ser alvo de perseguição.

Embora o pedido formal tenha sido apresentado, a extradição não ocorrerá automaticamente.

O Ministério da Justiça das Filipinas terá primeiro de analisar toda a documentação enviada pelos Estados Unidos para verificar se o pedido cumpre os requisitos previstos no tratado de extradição entre os dois países.

Caso considere o pedido válido, o Governo filipino deverá apresentar o processo perante um tribunal, que decidirá se existem fundamentos legais para autorizar a entrega do pregador às autoridades norte-americanas.

O advogado de Quiboloy declarou que a equipa de defesa ainda não recebeu qualquer notificação oficial sobre o pedido e, por isso, prefere não comentar o assunto neste momento.

Além do processo nos Estados Unidos, Apollo Quiboloy enfrenta diversos processos criminais nas Filipinas, incluindo acusações de alegado abuso sexual de uma menor.

O pregador foi detido em setembro de 2024 durante uma operação policial realizada no complexo de aproximadamente 30 hectares pertencente à igreja KOJC, localizado na cidade de Davao, no sul do país.

Na altura, as autoridades filipinas mobilizaram um grande dispositivo de segurança para efetuar a detenção.

Quiboloy também rejeita essas acusações e sustenta que é inocente.

Para além da sua liderança religiosa, Apollo Quiboloy é conhecido pela sua proximidade com o antigo Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, de quem é amigo de longa data.

A influência dos líderes religiosos continua a desempenhar um papel significativo na política filipina, tornando o caso particularmente sensível e acompanhado de perto pela opinião pública nacional e internacional.

As autoridades filipinas ainda não anunciaram um calendário para a decisão sobre o pedido de extradição. Enquanto isso, Apollo Quiboloy permanece a enfrentar processos judiciais no seu país, ao mesmo tempo que o Governo dos Estados Unidos procura assegurar a sua transferência para responder às acusações apresentadas pela justiça norte-americana.

O caso continua a ser acompanhado por organizações internacionais de direitos humanos, autoridades judiciais e observadores políticos, devido à dimensão das acusações e à notoriedade do líder religioso.

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