A disponibilidade de medicamentos em algumas unidades sanitárias da Matola está a gerar preocupação entre pacientes e familiares, que denunciam dificuldades para obter fármacos prescritos durante as consultas. Em alguns casos, segundo relatos recolhidos numa reportagem da TV Sucesso, os utentes afirmam que são obrigados a abandonar as unidades sanitárias sem os medicamentos de que necessitam e a procurá-los em farmácias privadas.
A situação foi identificada durante uma reportagem realizada no Hospital Provincial da Matola, uma das principais unidades de referência da região, bem como no Posto de Saúde da Unidade A e no Centro de Saúde de São Dâmaso.
Os relatos apresentados pelos utentes apontam para um problema que vai além da simples indisponibilidade de determinados medicamentos. Para famílias com rendimentos limitados, a necessidade de comprar medicamentos no sector privado pode representar uma despesa difícil de suportar, sobretudo quando se trata de tratamentos que deveriam estar disponíveis através do sistema público de saúde.
De acordo com os pacientes entrevistados pela TV Sucesso, a falta de medicamentos é uma situação que se verifica com alguma frequência nas unidades sanitárias visitadas.
Alguns utentes afirmam que, depois de receberem uma receita ou indicação médica, são informados de que determinado medicamento não está disponível na unidade sanitária. Perante essa situação, a alternativa passa por procurar uma farmácia privada.
O problema torna-se particularmente sensível quando os medicamentos necessários são de uso comum e de baixo custo em condições normais, como o paracetamol.
Segundo os relatos apresentados na reportagem, há ocasiões em que até este medicamento não está disponível nas unidades sanitárias, obrigando os pacientes a recorrer ao mercado privado.
Para quem possui recursos financeiros suficientes, a compra numa farmácia privada pode ser uma solução imediata. Contudo, para muitas famílias, a situação pode significar escolher entre comprar medicamentos e garantir outras necessidades básicas, como alimentação, transporte ou despesas escolares.
Os pacientes ouvidos pela TV Sucesso afirmam ainda que determinados medicamentos encontrados nas farmácias privadas podem representar um custo elevado.
Segundo os relatos, medicamentos que nos hospitais públicos podem ser disponibilizados gratuitamente ou a preços reduzidos chegam a custar entre 1.000 e 1.500 meticais nas farmácias privadas, dependendo do produto e da quantidade necessária.
Embora os valores mencionados pelos utentes não tenham sido apresentados como uma tabela oficial de preços para todos os medicamentos, os relatos ajudam a demonstrar a dimensão do impacto financeiro que a indisponibilidade de fármacos pode provocar nas famílias.
A situação é especialmente preocupante para pacientes que precisam de tratamentos contínuos ou de vários medicamentos simultaneamente. Nestes casos, a despesa acumulada pode tornar-se significativa.
Uma fonte ligada a uma das unidades sanitárias contactada telefonicamente pela TV Sucesso apresentou uma explicação diferente para a situação.
Segundo a fonte, existem medicamentos nas unidades sanitárias, mas a elevada procura faz com que os pacientes recebam, em determinados casos, quantidades limitadas.
A fonte explicou que a medida pretende permitir que os medicamentos disponíveis sejam distribuídos pelo maior número possível de utentes.
Esta realidade demonstra a existência de um desafio relacionado não apenas com a presença física de medicamentos nas unidades sanitárias, mas também com a capacidade de responder à procura da população.
Quando os stocks são reduzidos diante de uma procura elevada, os profissionais de saúde podem enfrentar dificuldades para garantir que todos os pacientes recebam a quantidade necessária para completar os tratamentos prescritos.
No Centro de Saúde da Unidade A, localizado no bairro Patrice Lumumba, a situação descrita é semelhante, embora existam medicamentos disponíveis.
Segundo a reportagem, há fármacos na unidade sanitária, mas em quantidades consideradas insuficientes para responder plenamente às necessidades dos utentes.
A insuficiência de stock pode provocar interrupções nos tratamentos e aumentar a procura por farmácias privadas.
Para os pacientes, o problema não termina quando conseguem uma consulta médica. A obtenção dos medicamentos prescritos é igualmente fundamental para que o tratamento recomendado possa produzir os resultados esperados.
A disponibilidade regular de medicamentos constitui um dos elementos fundamentais para o funcionamento de qualquer sistema de saúde. Quando os pacientes não encontram os fármacos necessários nas unidades públicas, o custo do tratamento pode aumentar significativamente.
Em famílias com rendimentos baixos, esse impacto pode ser ainda maior.
Um paciente que procura uma unidade sanitária pública espera, em muitos casos, ter acesso a medicamentos essenciais sem enfrentar custos que comprometam o orçamento familiar. Quando isso não acontece, a família pode ser obrigada a recorrer ao sector privado.
O problema pode ainda provocar atrasos no início ou na continuidade dos tratamentos, sobretudo quando o paciente não dispõe imediatamente de dinheiro para comprar os medicamentos.
Os relatos dos utentes levantam questões sobre a gestão e reposição de stocks de medicamentos nas unidades sanitárias da Matola.
É importante, contudo, distinguir entre situações pontuais de ruptura de stock e uma eventual escassez generalizada. A informação disponível na reportagem mostra dificuldades concretas relatadas por pacientes, mas não permite concluir que todos os hospitais e centros de saúde da Matola estejam a enfrentar exactamente o mesmo problema ou que todos os medicamentos estejam indisponíveis.
Também seria importante que as autoridades de saúde esclarecessem a situação, indicando quais medicamentos apresentam maior procura, quais são as principais causas das limitações de stock e que medidas estão a ser adoptadas para garantir o abastecimento regular.
Uma resposta institucional ajudaria igualmente a esclarecer os preços e a disponibilidade dos medicamentos mencionados pelos utentes, evitando generalizações e permitindo compreender melhor a dimensão do problema.
A questão da disponibilidade de medicamentos tem impacto directo na confiança da população no sistema público de saúde.
Quando um cidadão procura tratamento numa unidade sanitária e não consegue obter o medicamento prescrito, pode sentir que o acesso à saúde fica condicionado pela sua capacidade financeira.
Por outro lado, a pressão sobre as farmácias privadas pode aumentar à medida que mais pacientes são obrigados a procurar alternativas fora do sistema público.
O caso da Matola chama, por isso, atenção para a necessidade de reforçar mecanismos de previsão de procura, distribuição, reposição e controlo de stocks, especialmente nas unidades que atendem grandes volumes de pacientes.
Mais do que garantir a existência de medicamentos em determinados momentos, o desafio consiste em assegurar uma disponibilidade regular e suficiente para responder às necessidades da população.
Enquanto os utentes continuam a relatar dificuldades, permanece a expectativa de esclarecimentos das autoridades competentes e de medidas que possam reduzir as rupturas de stock nas unidades sanitárias públicas.
Fonte: TV Sucesso
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