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Moçambique necessita de 89 mil milhões de dólares para garantir a transição energética até 2050

Maputo, Moçambique 

Moçambique precisará de cerca de 89 mil milhões de dólares norte-americanos em investimentos até 2050 para implementar com sucesso a Estratégia de Transição Energética (ETE), um plano que visa transformar o país num dos principais produtores e exportadores de energia limpa na região da África Austral.

A informação foi apresentada durante uma sessão de análise realizada recentemente em Maputo pela directora-executiva da Associação Lusófona de Energias Renováveis, Isabel de Abreu. Na ocasião, foram discutidos os desafios, oportunidades e necessidades financeiras para que Moçambique consiga acelerar a transição para fontes de energia mais sustentáveis e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a implementação da Estratégia de Transição Energética de Moçambique exige cerca de 80 mil milhões de dólares em investimentos até 2050, destinados ao desenvolvimento de energias renováveis, expansão da rede eléctrica e promoção do acesso universal à energia. O montante agora apresentado, de 89 mil milhões de dólares, enquadra-se nas estimativas mais recentes divulgadas durante debates sobre a implementação da estratégia nacional. 

De acordo com o estudo apresentado, a maior parte do investimento será destinada à construção de novas infra-estruturas de produção de energia hídrica, solar e eólica. Os recursos também serão aplicados na modernização e expansão da rede nacional de transporte e distribuição de electricidade, permitindo que mais famílias, empresas e instituições tenham acesso à energia em diferentes regiões do país.

Além do reforço da capacidade de produção energética, a estratégia prevê investimentos em tecnologias limpas, sistemas de armazenamento de energia, melhoria da eficiência energética e formação de profissionais especializados para responder às exigências do sector.

Os especialistas destacam que a implementação da Estratégia de Transição Energética poderá impulsionar o crescimento económico, criar milhares de empregos directos e indirectos, atrair novos investimentos nacionais e estrangeiros e fortalecer a competitividade de Moçambique no mercado regional de energia.

Outro dos objectivos do plano consiste em reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, contribuindo para o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo país no combate às alterações climáticas e na promoção do desenvolvimento sustentável.

Para que as metas estabelecidas sejam alcançadas até 2050, será necessário mobilizar financiamento proveniente de instituições financeiras internacionais, parceiros de cooperação, sector privado e bancos de desenvolvimento. Os especialistas defendem ainda a criação de políticas públicas estáveis e de um ambiente favorável ao investimento para acelerar a execução dos projectos previstos.

Com um dos maiores potenciais hidroeléctricos, solares e eólicos da região, Moçambique é apontado como um país com condições favoráveis para liderar a transição energética na África Austral. Caso os investimentos previstos sejam concretizados, o país poderá aumentar significativamente a produção de energia limpa, expandir o acesso à electricidade e consolidar-se como um importante fornecedor regional de energia sustentável nas próximas décadas.

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