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Mais de 1.500 moçambicanos foram recrutados para trabalhar em Portugal no primeiro semestre de 2026, revela Daniel Chapo

 

O Presidente Daniel Chapo revelou que mais de 1.500 moçambicanos foram recrutados para trabalhar em Portugal entre janeiro e junho de 2026, no âmbito dos acordos de mobilidade laboral entre os dois países.
Fonte: Amanuel Sileshi/AF
Mais de 1.500 cidadãos moçambicanos foram recrutados para trabalhar em Portugal entre janeiro e junho de 2026, ao abrigo dos mecanismos de mobilidade laboral existentes entre os dois países. A informação foi avançada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, numa entrevista concedida à agência de notícias Lusa, divulgada na terça-feira, 14 de julho de 2026, na véspera da sua deslocação oficial a Lisboa.

Segundo o Chefe de Estado, cerca de 800 trabalhadores seguiram para Portugal através do Instituto Nacional de Emprego (INEP), enquanto os restantes foram contratados por intermédio de agências privadas de recrutamento autorizadas, que atuam em coordenação com as autoridades portuguesas e moçambicanas.

A iniciativa resulta da implementação dos acordos de mobilidade laboral assinados entre Moçambique e Portugal, destinados a responder à crescente escassez de mão-de-obra em diversos setores da economia portuguesa, ao mesmo tempo que criam oportunidades de emprego para cidadãos moçambicanos.

"A comunidade moçambicana em Portugal está bem integrada. Já estamos a materializar o acordo de mão-de-obra de Moçambique para Portugal. Só de janeiro até junho, mais de 1.500 moçambicanos saíram de Moçambique para Portugal, por via do Instituto de Emprego foram cerca de 800", afirmou Daniel Chapo, citado pela Lusa.

De acordo com o Presidente da República, o Governo pretende reforçar este modelo de recrutamento, considerando que representa uma oportunidade para reduzir o desemprego e aumentar o rendimento das famílias moçambicanas através das remessas enviadas pelos trabalhadores no estrangeiro.

Daniel Chapo explicou que o Executivo pretende continuar a privilegiar o recrutamento realizado pelo Instituto Nacional de Emprego, por considerar que este mecanismo oferece maior transparência e proteção aos candidatos.

"Queremos continuar a trabalhar para que, por esta via do Instituto Nacional de Emprego, que é um instituto público, possamos continuar a enviar mão-de-obra para Portugal", declarou.

As autoridades portuguesas identificam uma procura crescente por profissionais estrangeiros, sobretudo em setores onde existe falta de trabalhadores nacionais.

Entre as áreas que mais têm absorvido cidadãos moçambicanos encontram-se:

  • Construção civil;
  • Transportes;
  • Metalomecânica;
  • Indústria transformadora;
  • Outras atividades técnicas e operacionais.

Segundo o Governo português, estas admissões decorrem no âmbito dos acordos de mobilidade laboral e da cooperação entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Portugal, o Instituto Nacional de Emprego de Moçambique e entidades privadas de recrutamento.

Daniel Chapo explicou que o número de trabalhadores recrutados foi confirmado através de um levantamento conjunto realizado pelo Governo moçambicano junto das agências privadas de emprego e do Instituto Nacional de Emprego.

"Fizemos um levantamento por parte das agências privadas de emprego e também por parte do Instituto Nacional de Emprego, e vimos que só no primeiro semestre cerca de 1.500 moçambicanos conseguiram ir para Portugal e as nossas relações são excelentes", afirmou.

O Presidente considera que estes números demonstram o fortalecimento das relações económicas entre os dois países, bem como a confiança das empresas portuguesas na capacidade profissional dos trabalhadores moçambicanos.

Durante a entrevista, Daniel Chapo destacou ainda o papel desempenhado pela comunidade moçambicana residente em Portugal, estimada atualmente em mais de 15 mil pessoas.

Segundo o Presidente, trata-se de uma comunidade reconhecida pela sua integração social, pelo respeito às instituições portuguesas e pela contribuição para o desenvolvimento económico do país de acolhimento.

Para o Chefe de Estado, preservar essa boa imagem é essencial para garantir a continuidade dos programas de mobilidade laboral entre Moçambique e Portugal.

Na mesma ocasião, Daniel Chapo dirigiu uma mensagem aos moçambicanos residentes em Portugal, apelando ao cumprimento rigoroso da legislação portuguesa.

"Queria apelar para que continue assim, a ser uma comunidade humilde, a ser uma comunidade que obedece às leis portuguesas, porque é o território onde estão a viver. É muito importante obedecer a todas as leis de um determinado país", afirmou.

O Presidente estabeleceu igualmente um paralelo com os cidadãos portugueses que vivem em Moçambique, defendendo que o respeito mútuo pelas leis nacionais fortalece as relações históricas entre os dois Estados.

"Tal como os portugueses que residem em Moçambique respeitam as leis moçambicanas, é extremamente importante os moçambicanos que residem em Portugal respeitarem as leis portuguesas, porque só assim, como dois países irmãos, é que vamos continuar unidos, coesos, e a desenvolver os nossos dois países e a criar melhores condições de vida para os moçambicanos, mas também para os portugueses", concluiu.

A mobilidade laboral tornou-se um dos pilares da cooperação entre Moçambique e Portugal, permitindo responder simultaneamente às necessidades do mercado de trabalho português e à procura de oportunidades de emprego por parte de trabalhadores moçambicanos.

Especialistas consideram que estes programas podem contribuir para a redução do desemprego, para o reforço da qualificação profissional e para o aumento das remessas enviadas pelas comunidades emigrantes, um fator que beneficia diretamente muitas famílias em Moçambique.

As declarações de Daniel Chapo foram feitas antes do início da sua visita oficial a Portugal, durante a qual estão previstos encontros com altas autoridades portuguesas para aprofundar a cooperação bilateral em áreas como economia, investimento, educação e mobilidade laboral.

Fonte: Declarações do Presidente da República, Daniel Chapo, em entrevista à Lusa

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