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Maputo acolhe Conferência Internacional para definir o futuro do desenvolvimento inclusivo e sustentável de Moçambique


Maputo, Moçambique 

A cidade de Maputo recebe, esta quarta-feira, a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, um encontro que reúne membros do Governo, académicos, representantes do sector privado, parceiros de cooperação, instituições financeiras e organizações da sociedade civil para discutir os principais desafios e oportunidades do desenvolvimento nacional.

Realizado sob o lema "Do Balanço à Acção – Rumo ao Desenvolvimento Integrado do País", o evento pretende criar uma plataforma de diálogo sobre o futuro de Moçambique, promovendo a troca de experiências e a construção de consensos em torno das políticas públicas necessárias para acelerar o crescimento económico, reduzir as desigualdades e fortalecer o desenvolvimento sustentável.

A cerimónia de abertura será presidida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, marcando o início de um amplo debate que deverá orientar a definição das prioridades estratégicas do país para as próximas décadas.

Durante a conferência, especialistas nacionais e internacionais irão analisar o percurso do desenvolvimento moçambicano, avaliando os avanços alcançados desde a independência e identificando os principais obstáculos que continuam a limitar o crescimento económico e social.

Entre os temas em destaque estão o reforço das instituições públicas, a diversificação da economia, a industrialização, a melhoria da produtividade, o investimento em infraestruturas, a inovação tecnológica, a educação, a saúde, a segurança alimentar e a criação de emprego, sobretudo para os jovens.

Os participantes pretendem ainda discutir mecanismos que permitam aumentar a competitividade da economia moçambicana, atrair investimento privado, fortalecer a capacidade produtiva nacional e garantir que os benefícios do crescimento sejam distribuídos de forma mais equilibrada entre todas as regiões do país.

Um dos intervenientes da conferência, o director não-executivo do Banco Nacional de Investimento, Omar Mithá, considera que o encontro representa uma oportunidade para definir uma visão estratégica clara para o desenvolvimento económico de Moçambique.

Segundo Mithá, será fundamental discutir o papel do Estado na correcção das falhas de mercado e identificar políticas capazes de melhorar a qualidade do ensino, aumentar a produtividade, estimular a competitividade das empresas e impulsionar a inovação.

Na sua perspectiva, os debates poderão resultar na definição de um plano consistente para os próximos 20 anos, permitindo ao país estabelecer metas concretas e criar condições para um crescimento económico sustentável.

Também presente no encontro, o antigo Primeiro-Ministro Adriano Maleiane defendeu que a conferência deverá servir para avaliar se as estratégias actualmente em vigor continuam adequadas ao contexto internacional e às necessidades reais de Moçambique.

Maleiane considera que a reflexão permitirá decidir se o país deve manter o actual rumo ou introduzir ajustamentos que reforcem a eficácia das políticas públicas, de modo a alcançar níveis mais elevados de execução dos objectivos nacionais até 2030.

Para o antigo governante, o sucesso do desenvolvimento dependerá da capacidade das instituições em transformar as estratégias definidas em resultados concretos que beneficiem directamente a população.

Outro ponto amplamente destacado durante a conferência é a valorização do capital humano. O reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Manuel Guilherme, defendeu que nenhum recurso natural pode gerar desenvolvimento sustentável sem profissionais qualificados para o explorar de forma eficiente e responsável.

Na sua intervenção, sublinhou que o investimento contínuo na educação, na investigação científica, na inovação e na formação técnica constitui um dos pilares fundamentais para transformar os recursos existentes em riqueza, emprego e melhoria das condições de vida dos cidadãos.

Especialistas presentes no evento defendem igualmente que Moçambique dispõe de um enorme potencial económico graças aos seus recursos naturais, posição geográfica estratégica, sector agrícola e projectos energéticos. Contudo, alertam que será indispensável fortalecer a governação, melhorar o ambiente de negócios e consolidar a estabilidade institucional para aproveitar plenamente essas oportunidades.

Espera-se que as conclusões da conferência contribuam para orientar futuras políticas públicas, reforçar a coordenação entre o Governo e os diferentes parceiros de desenvolvimento e acelerar a implementação de reformas estruturais consideradas essenciais para o crescimento económico inclusivo.

A Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável surge, assim, como um importante espaço de reflexão nacional, onde diferentes sectores da sociedade procuram construir uma visão partilhada para o futuro de Moçambique, assente na sustentabilidade, na inovação, na boa governação e no desenvolvimento centrado nas pessoas.

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