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Conselho Municipal da Beira acusa Ministério das Finanças de negar isenção fiscal para importação de asfalto

 O presidente do Conselho municipal da Beira durante a denúncia. O Conselho Municipal da Beira acusa o Ministério das Finanças de negar isenção fiscal para importar betume, o que aumenta os custos das obras de reabilitação de estradas na cidade

O Conselho Municipal da Beira acusou o Ministério das Finanças de ter recusado um pedido de isenção de direitos aduaneiros e demais imposições fiscais para a importação de material betuminoso destinado ao projeto de reabilitação da rede viária da cidade. Segundo a autarquia, a decisão aumenta os custos das obras, limita a capacidade de intervenção do município e reduz os recursos disponíveis para melhorar as estradas da segunda maior cidade de Moçambique.

A denúncia foi tornada pública na quarta-feira, 15 de julho de 2026, durante a cerimónia de entrega de novos equipamentos para manutenção da rede viária, presidida pelo presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige.

De acordo com documentos citados pelo Jornal Evidências, o município submeteu, em 20 de abril de 2026, um pedido formal ao Ministério das Finanças para beneficiar da isenção fiscal na importação de aproximadamente 300 toneladas de betume, matéria-prima essencial para o funcionamento da nova central de produção de asfalto instalada na cidade.

No documento enviado ao Governo, a edilidade argumentou que o projeto visa melhorar significativamente a mobilidade urbana, recuperar e conservar estradas, reforçar os sistemas de drenagem e aumentar a capacidade de resposta da cidade perante situações de emergência provocadas por fenómenos climáticos extremos.

“Nesses termos, o Conselho Municipal da Beira vem respeitosamente solicitar a Vossa Excelência a isenção de direitos aduaneiros e demais imposições na importação deste material”, refere o ofício citado pelo Jornal Evidências.

Segundo o município, passados quase três meses após a apresentação do pedido, o Ministério das Finanças não aprovou a isenção solicitada. Como consequência, a autarquia teve de suportar integralmente os custos fiscais associados à importação do betume proveniente da África do Sul.

Para o Conselho Municipal, esta decisão representa um obstáculo aos esforços para acelerar a reabilitação das vias urbanas, uma vez que aumenta significativamente o custo da matéria-prima utilizada na produção de asfalto.

Durante a cerimónia de entrega de equipamentos, Albano Carige lamentou a posição do Governo e defendeu que a aprovação da isenção permitiria canalizar mais recursos para a recuperação de ruas degradadas.

Segundo o edil, a redução dos encargos fiscais permitiria aumentar o número de estradas intervencionadas e melhorar a capacidade de resposta da autarquia às necessidades de manutenção da rede viária.

Apesar da recusa da isenção, o município avançou com um investimento estimado em 219 milhões de meticais destinado à aquisição de maquinaria pesada e de uma moderna central de produção de betão betuminoso.

O novo equipamento permitirá à autarquia produzir o seu próprio asfalto e executar diretamente trabalhos de pavimentação, diminuindo a dependência de empreiteiros privados e reduzindo os custos operacionais a médio e longo prazo.

Entre os equipamentos adquiridos destacam-se:

  • Camiões basculantes;
  • Espalhadores de asfalto;
  • Camião de rega de impregnação;
  • Camião-cisterna;
  • Varredora mecânica;
  • Cilindros compactadores de rolo liso e pneumático;
  • Fresadora;
  • Equipamento Pulvermis;
  • Central de produção de betão asfáltico com capacidade para produzir cerca de 80 toneladas por hora.

Segundo a edilidade, estes meios permitirão aumentar significativamente a eficiência das operações de asfaltagem, tapa-buracos e reabilitação das vias municipais.

Albano Carige explicou que um dos principais objetivos da aquisição da central de produção de asfalto é tornar a Beira menos dependente de fornecedores externos e aumentar a autonomia do município na execução de obras públicas.

O autarca recordou que outros municípios moçambicanos, como Chimoio, já adotaram soluções semelhantes, permitindo maior rapidez na execução das intervenções e uma gestão mais eficiente dos recursos públicos.

A autarquia considera que esta estratégia contribuirá para reduzir os prazos das obras e assegurar uma manutenção mais frequente da rede viária.

A aposta na produção própria de asfalto surge numa altura em que a Beira enfrenta enormes desafios na conservação das suas infraestruturas rodoviárias.

Segundo dados apresentados pelo município, a cidade possui cerca de 650 quilómetros de estradas, muitas delas afetadas pela degradação provocada pelas chuvas intensas, inundações frequentes e elevado fluxo de veículos.

A degradação da rede viária tem sido uma das principais preocupações dos munícipes, que frequentemente denunciam buracos, dificuldades de circulação e danos causados aos veículos.

Com os novos equipamentos, o Conselho Municipal acredita que será possível responder de forma mais rápida às necessidades de manutenção, melhorando a mobilidade urbana e aumentando a segurança dos utilizadores das vias públicas.

Apesar do investimento realizado, o Conselho Municipal da Beira considera que os resultados poderão ser ainda mais expressivos caso o Governo reveja a decisão sobre a isenção fiscal.

Na perspetiva da autarquia, trata-se de um projeto de interesse público, destinado a melhorar as infraestruturas urbanas, reforçar a resiliência da cidade perante eventos climáticos extremos e proporcionar melhores condições de circulação para cidadãos e empresas.

Até ao momento, o Ministério das Finanças não divulgou qualquer esclarecimento público sobre as razões que levaram ao indeferimento do pedido de isenção apresentado pela edilidade.

Fonte: Jornal Evidências; declarações do presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige


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